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24/09/2026

TC do DF ordena bloqueio de bens de ex-diretores do BRB por fraudes com Master

Investigação aponta compra de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master e participação de dirigentes do Banco de Brasília (Por Daniel Weterman)

Resumo
O Tribunal de Contas do Distrito Federal bloqueou os bens do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e outros ex-dirigentes devido a fraudes com o Banco Master. A decisão, tomada em sessão sigilosa, baseia-se em um relatório que aponta a compra de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos. O bloqueio de R$ 2,76 bilhões visa cobrir prejuízos, que podem superar R$ 8 bilhões. O Ministério Público identificou danos significativos e o BRB tentou adquirir o Master, mas foi impedido pelo Banco Central.

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou o bloqueio de bens do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outros ex-dirigentes da instituição por causa das fraudes praticadas com o Banco Master.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 23, em sessão reservada, pois o processo é sigiloso. O bloqueio de bens foi baseado em um relatório de investigação independente contratado pelo BRB que aponta compra de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master e participação de dirigentes do Banco de Brasília no esquema.
 
O Tribunal de Contas determinou o bloqueio de bens contra:
  • Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB;
  • Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de Finanças e Controladoria;
  • Robério Cesar Bonfim Mangueira, ex-superintendente de Operações Financeiras
  • Marcelo Talarico, ex-presidente do Conselho de Administração; e
  • Wily da Silva Leão, ex-gerente de Tesouraria e da Superintendência de Operações Financeiras.
Procurada, a defesa de Paulo Henrique Costa não se manifestou. O Estadão não conseguiu contato com os demais citados e o espaço segue aberto.

O bloqueio de bens atinge R$ 2,76 bilhões, relativos à necessidade de provisão integral estimada inicialmente pela investigação para cobrir o prejuízo do Master no BRB. O valor ainda pode ser revisado. Estima-se que o rombo total supere R$ 8 bilhões. Os ex-dirigentes terão um prazo de 30 dias para se manifestar.

Em maio, o presidente do Tribunal de Contas do DF, Manoel de Andrade, defendeu, em entrevista ao Estadão, a adoção de uma medida cautelar para bloquear os bens dos responsáveis pela fraude do Master. O Banco de Brasília não divulgou o balanço financeiro de 2025, que mostraria o tamanho do rombo, e ainda não recebeu aporte do governo do Distrito Federal para cobrir o prejuízo.

Os conselheiros aprovaram também uma medida para avaliar a participação de outros ex-integrantes do BRB. A depender da responsabilização, eles também poderão ter os bens bloqueados:
  • João Pedro Leite Nunes, funcionário que recebeu alertas sobre déficits de liquidez;
  • Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora de Controle e Riscos;
  • Ananda Frota, ex-superintendente de Fusões, Aquisições e Participações;
  • Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo; ex-diretor jurídico; e
  • Outros membros votantes da Diretoria do BRB.
Investigação aponta compra de carteiras falsas, operações fragmentadas e projeto paralelo para BRB comprar Master
O Ministério Público de Contas, que pediu à medida ao tribunal, identificou “a existência de vultosos danos decorrentes de condutas irregulares e fraudatórias imputáveis” por parte dos ex-dirigentes do BRB, com base em investigação contratada pelo BRB.

Segundo a investigação, o Banco de Brasília comprou carteiras do Master ignorando alertas de risco e impondo prejuízos à instituição. O Banco de Brasília também tentou comprar o Master do banqueiro Daniel Vorcaro por meio de um projeto paralelo batizado de “Projeto Vértice”, mas foi impedido pelo Banco Central.

No total, segundo o relatório, o Banco de Brasília comprou R$ 26,61 bilhões em ativos do Master. Algumas carteiras foram substituídas por causa dos problemas encontrados. A investigação aponta a existência de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente falsos ou sem lastro de originação que foram parar no Banco de Brasília.

O relatório contratado pelo BRB aponta a existência de “um núcleo decisório interno” responsável pelas fraudes financeiras, que seria comandando pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa. Entre 2024 e 2025, cerca de 83% do volume financeiro movimentado pelo BRB ficou vinculado ao conglomerado de Vorcaro.

Segundo a investigação, o grupo teria fragmentado as operações de compra de ativos do Master em parcelas de até R$ 750 milhões, para escapar da análise do Conselho de Administração.

Além disso, os ex-dirigentes teriam conduzido operações mesmo após reiterados alertas formais acerca da ausência dos problemas nos créditos do Master e ainda agido para o BRB comprar o Master “em ambiente marcado por elevado grau de sigilo, circularidade decisória e potenciais conflitos de interesses. (Fonte: Estadão)

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