Câmara aprova programa de serviço voluntário para jovens e pessoas acima de 50 anos
MP ainda precisa ser votada pelo Senado. Texto prevê bolsas abaixo de um salário mínimo pagas pelos municípios; oposição vê 'falta de efetividade' e 'precarização'. (Por Gustavo Garcia)A Câmara aprovou nesta quarta-feira (11) a medida provisória que cria o Programa Nacional de Prestação de Serviço Civil Voluntário para jovens de 18 a 29 anos, pessoas com deficiência, e indivíduos acima de 50 anos que estejam há mais de 24 meses sem vínculo formal de emprego.
Conforme a proposta, o objetivo do programa, que terá dois anos de duração, é "auxiliar na inclusão produtiva de pessoas em situação de vulnerabilidade e reduzir impactos" da pandemia no mercado de trabalho.
A MP não prevê o uso de recursos do governo federal no programa, que será custeado pelo Distrito Federal e pelos municípios que aderirem à ação.
Pela proposta, caberá ao DF e aos municípios definir e ofertar as atividades "de interesse público" a serem prestadas, sem vínculo empregatício ou profissional de qualquer natureza.
Terão prioridade de adesão ao programa:
- beneficiários de programas de transferência de renda, como o Auxílio Brasil;
- pessoas pertencentes à família de baixa renda inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
Os voluntários serão selecionados pelos governos locais por meio de processo seletivo público simplificado, que definirá o período de duração do trabalho voluntário.
A carga horária máxima será de 22 horas semanais, limitada a 8 horas diárias. Os gestores municipais e distrital que aderirem ao programa deverão ofertar também curso de formação inicial ou de qualificação profissional com carga horária mínima de 12 horas a cada 30 dias de permanência no programa.
Os cursos poderão ser no formato presencial, semipresencial ou a distância e serão realizados nas entidades do Sistema S, ou em instituições municipais ou distritais de formação técnico-profissional.
Bolsa menor que o salário mínimo
Municípios e o DF deverão definir o valor da bolsa a ser paga aos participantes do programa. A quantia deverá ser equivalente ao salário mínimo por hora e corresponderá à soma das horas dos cursos e das atividades executadas.
Parlamentares da oposição criticaram a regra, que, segundo eles, permitirá bolsas com valores inferiores a meio salário mínimo, ou seja, cerca de R$ 500.
O texto prevê pagamento de vale-transporte, que não será descontado da bolsa, ou oferecimento de outra forma de transporte gratuito; e a contratação de seguro contra acidentes pessoais.
Os voluntários, pela proposta, não poderão exercer atividades:
- insalubres;
- perigosas; ou
- que configurem substituição de servidores ou de empregados públicos do ente federativo na execução de atividades.
Os voluntários serão desligados do programa se forem contratados em um emprego com carteira assinada, tomarem posse em cargo público, tiverem frequência inferior à mínima ou aproveitamento insuficiente.
Críticas
Parlamentares contrários ao texto afirmaram que a MP possibilita um modelo de serviço "precarizado" e que é um "engodo", uma vez que não repassa recursos aos municípios e ao DF para a execução do programa, deixando os custos a cargo das prefeituras e do governo do DF.
"O governo diz 'olhe, nós vamos oferecer um emprego que não é bem um emprego, porque nem vai haver carteira assinada'. As prefeituras é que vão pagar por isso. Ou seja, o governo federal lava as mãos, não coloca um real nesse programa e diz: 'olhe, vai ser um trabalho de meio turno. Vamos pagar R$ 500 reais, R$ 600 reais' [...]. Os municípios teriam que pegar um dinheiro que eles não têm, porque estão estrangulados, e gerariam um emprego precário de meio salário mínimo. Isso é esperança para a juventude? Não, isso aqui é mentira. O governo da mentira multiplica programas fictícios", afirmou Henrique Fontana (PT-RS).
A deputada Sâmia Bomfm (PSOL-SP) disse que o programa não terá efetividade e que não foi acordado com os gestores municipais que, se aderirem ao programa, deverão bancar as bolsas.
"Na verdade, é um grande engodo, porque caberia às prefeituras o orçamento para fazer essa contratação. Isso não foi combinado com as prefeituras, não existe esse recurso. É só uma medida eleitoreira que, na prática, não serve para nada, não contrata ninguém. Está se adiantando uma política de rebaixamento de salário, de maior precarização e superexploração do trabalho", disse Sâmia Bomfim (PSOL-SP).
O deputado Bira do Pindaré (PSB-MA) afirmou que o texto possibilitará, em um ano de eleições, o pagamento de valores a "cabos eleitorais". (Fonte: G1)
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