O objetivo do Itaú é replicar o modelo de negócios praticado no Brasil em outros países da América Latina (Por Aline Bronzati (Broadcast)) - foto Paulinho Costa feebpr - O Itaú quer aproveitar a migração de latino-americanos para a Europa, diz o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira, em entrevista exclusiva ao ‘Estadão/Broadcast’.
CORRESPONDENTE EM NOVA YORK - O Itaú Unibanco acaba de ultrapassar a marca inédita de R$ 1 trilhão em recursos geridos no segmento Private, antecipando em cerca de dois anos a meta prevista para 2027.
Líder no Brasil, com mais de 30% desse mercado, o maior banco da América Latina em ativos se prepara agora para expandir sua operação na região a partir de 2026 e também na Europa.
“Uma vertente em que vamos investir fortemente, a partir de 2026, é a presença nos países latino-americanos fora do Brasil. Já estamos nesses mercados, mas há grande potencial para fortalecer o private banking na região”, diz o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.
De acordo com ele, os países em que o banco tem maior “foco e peso” são Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Argentina. “Temos uma ambição de ser muito relevante nesses países”, afirma. “Miami continua sendo o principal destino do latino-americano”, reforça o executivo.
O objetivo do Itaú é replicar o modelo de negócios praticado no Brasil em outros países da América Latina. Atualmente, a operação na região é um pouco mais fragmentada. Do R$ 1 trilhão gerido no Private do Itaú, 71% dos recursos captados vêm do Brasil e 29% do exterior.
O impulso para atingir o trilhão resultou da combinação de três frentes: regionalização, internacionalização e uma visão global integrada das áreas de investimentos e banking no Brasil e no exterior (on e offshore). No entanto, essa visão holística do cliente ainda não foi adotada plenamente na América Latina, segundo Moreira.
“A maioria dos clientes de alta renda de países da região já mantém a sua riqueza fora do país. Hoje, olhamos muito para os recursos que estão fora e menos holisticamente para o que tem dentro”, explica o executivo.
Apesar disso, ele diz que não existe uma “bala de prata”. Segundo Moreira, o reforço da operação de Private do Itaú na América Latina pode variar de país para país e ocorrer por meio de diferentes estratégias como, por exemplo, aumento de equipe, maior foco ou dedicação. “Estamos olhando país por país, desenhando uma estratégia para cada um deles”, afirma.
EuropaO Itaú também quer expandir a operação Private na Europa, aproveitando a migração de latino-americanos para o continente, segundo o chefe da área internacional do banco.
“Muitos clientes latino-americanos fizeram ou estão fazendo migração fiscal para fora dos seus países de origem. Queremos estar próximos desses clientes, que muitas vezes já são nossos clientes no Brasil”, diz o executivo.
O banco monitora países como a Itália, onde ainda não possui presença física, e pretende usar o suporte da operação na Suíça. Em 2025, o Itaú abriu o maior número de contas no país em toda a sua história. Além disso, no ano passado, o banco criou uma célula comercial em Portugal.
Já na estratégia de regionalização, o Itaú abriu seis novos escritórios desde 2022 em Bauru (SP), Fortaleza, Goiânia, Brasília, Salvador e Blumenau. Também reforçou o seu time global de Private, com a contratação de mais de 140 pessoas nos últimos dois anos, com executivos vindo de casas como Julius Baer, Citibank, Deutsche Bank, e JPMorgan.
Na vertente de investimentos, o banco firmou uma parceria exclusiva com a Brown Advisory na América Latina, para atuar sobretudo no Brasil. Com US$ 174,5 bilhões em ativos sob gestão, a casa americana é referência na gestão independente de ativos menos líquidos. Conforme Moreira, o banco tem feito um trabalho de educação junto ao cliente brasileiro.
Quanto à operação do Itaú nos EUA, o executivo diz que o banco tem um plano de expansão de médio e longo prazo, alinhado à demanda crescente dos clientes. Em sua visão, o brasileiro ainda mantém muita riqueza no País e há potencial para ampliar a fatia de recursos destinada aos EUA, tanto que a concorrência de bancos nacionais tem crescido no mercado americano. “Vemos uma vontade muito grande do brasileiro de ter algum tipo de presença nos EUA”, conclui Moreira. (Fonte: Estadão)
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