Nelson Antônio de Souza participa de reunião para discutir projeto enviado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para salvar banco estatal após crise do Banco Master (Por Daniel Weterman) - foto reprodução - O presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, disse a deputados que, se não houver um socorro por parte do governo do Distrito Federal na instituição, o banco vai parar de funcionar, conforme o Estadão apurou.
Souza participa de uma reunião fechada com deputados distritais na Câmara Legislativa do DF nesta segunda-feira, 2, para discutir o projeto enviado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) de socorro ao BRB após a crise do Banco Master.
O presidente do BRB admitiu que irregularidades foram identificadas no passado e reforçou que a atual gestão não se omitiu aos problemas causados pela crise do Master. Nas palavras dele, segundo relatos, a nova diretoria do banco está “trocando os pneus com o carro andando”.
Segundo Souza, se não houver um aporte por parte do governo distrital, o banco vai parar de funcionar e a economia do Distrito Federal ficará prejudicada, já que o BRB opera o pagamento de programas sociais, a bilhetagem do transporte público, financiamentos imobiliários e empréstimos para servidores públicos.
Do lado de fora da Câmara, um grupo do sindicato dos funcionários do BRB faz uma manifestação defendendo a manutenção do banco e a aprovação do socorro.
O projeto foi enviado pelo governador à Câmara Legislativa na semana passada, mas há resistência entre os deputados. Atualmente, o governo do Distrito Federal não conta com os votos necessários para aprovar a proposta, segundo aliados de Ibaneis. Em uma sessão com todos os deputados, seriam necessários 13 votos favoráveis.
O governo pediu aval para fazer um aporte no BRB e ofereceu nove imóveis para serem vendidos, transferidos para o banco ou ainda usados como garantia em um empréstimo limitado a R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a outros bancos. Durante a reunião, a Terracap informou que os imóveis foram avaliados em aproximadamente R$ 6,5 bilhões, abaixo do valor solicitado.
O aporte se tornou necessário após um rombo deixado por operações com o Banco Master. O BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar o capital da instituição. A operação precisa ser aprovada pelos deputados distritais. Ibaneis tenta aprovar o projeto ainda nesta semana. A assembleia do BRB para discutir o plano está marcada para o dia 18 de março.
‘Projeto não é cheque em branco’Durante a reunião, o presidente do BRB reforçou que o projeto não é um “cheque em branco”. A proposta foi criticada por permitir ao governo do Distrito Federal realizar o aporte, usar os imóveis como garantia e ainda buscar outras operações para capitalizar o BRB, sem especificar quais. O dirigente do banco argumentou aos deputados que a proposta cria instrumentos legais para sustentar o funcionamento do banco.
Participam da conversa 19 dos 24 deputados distritais. Após uma fala inicial de Souza, deputados fazem perguntas. Além do presidente do BRB, o governador Ibaneis escalou o secretário de Economia do DF, Daniel Izaias de Carvalho, o procurador-geral, Márcio Wanderley de Azevedo e dirigentes da Terracap, que administra o patrimônio de imóveis do Distrito Federal, para o encontro.
Presidente do BRB diz que deputados são responsáveis por solução
O presidente do BRB falou que não foi ele nem os deputados que causaram o problema do banco estatal, mas lançou sobre os parlamentares a responsabilidade de salvar a instituição após a crise com o Master.
A fala incomodou políticos presentes na reunião, que temem desgaste ao votar o projeto após, no ano passado, terem aprovado a compra do Master pelo Banco de Brasília.
“O projeto não pode ser aprovado a qualquer custo. Nós temos um problema grave e ninguém falou qual o tamanho da profundidade da hemorragia. Só falou do remédio, e esse remédio vai estancar a hemorragia?”, afirmou a deputada Paula Belmonte (PSDB). “Essa é a pressão do governo, só que essa pressão não cola em nós”, disse Fábio Felix (PSOL). “O governo está pressionando para votar, mas as explicações são insuficientes.”
O presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB), apresentou uma emenda exigindo que a capitalização do BRB com dinheiro ou bens públicos passe por um plano formal, detalhando os benefícios e as garantias de compensação aos cofres públicos.
“Nós temos um objetivo principal, que é salvar o banco, um patrimônio de todos nós, moradores do Distrito Federal. No decorrer das discussões, vamos apresentar propostas para aprimorar o projeto e dar tranquilidade para a população”, disse o presidente no intervalo da reunião. (Fonte: Estadão)
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